quinta-feira, 9 de abril de 2009

ADEMP | Newsletter | Ano 01 Edição 01

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Prefeitura abre 340 vagas para cursos de Iniciação Profissional


Fonte: Prefeitura de São Bernardo do Campo

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania de São Bernardo do Campo, por meio das Escolas Municipais de Iniciação Profissional (Emip), abre inscrições para preenchimento de 340 vagas em 17 cursos profissionalizantes. As inscrições acontecem na segunda-feira e terça-feira (13 e 14/04), das 9h às 18h, nas próprias Emips.

Para se inscrever o candidato deve comprovar residência em São Bernardo, levar documentos (carteira de trabalho, contas de luz, água) que comprovem sua situação socioeconômica e ter escolaridade compatível ao estabelecido para os cursos que variam entre ensino fundamental incompleto e ensino médio completo.

As Emips dispõem de 75% das vagas para alunos do Ensino Fundamental e 25% para alunos do Ensino Médio. Os cursos poderão ser alterados quanto ao horário, carga horária e local em virtude da demanda ou necessidade de serviço. Os cursos são gratuitos, mas as Emips, no entanto, não fornecem vale-transporte, alimentação, material e instrumental do curso. O candidato só poderá se inscrever em um curso.

Entre as opções destacam-se: Iniciação Profissional em Serviços Administrativos, Costura Domiciliar Módulo I, Cabeleireiro, Moda em Camisa, Moda em Jaqueta, Bolsa em Tecido, Modelagem em Tecido Plano, Lingerie, Panificação, Garçom, Bordado em Máquina Domiciliar e Costura Industrial para Malharia.

Dicas Empreendedoras: como elaborar um plano de negócio

O plano de negócio é o melhor instrumento para traçar um retrato fiel do mercado, do produto e das atitudes do empreendedor. Desenvolver o seu é um sinal de maturidade e planejamento - através de seu plano de negócio quem quer iniciar uma empresa tem mais segurança para alcançar o êxito e também ampliar ou promover inovações.

Acesse o Plano de Negócios do SEBRAE.

Assim como para construir uma casa, organizar uma festa, viajar para o campo ou para o litoral é necessário fazer um cuidadoso planejamento.

Ou seja, a casa, a festa e a viagem não vão se realizar apenas porque você assim deseja, mesmo que seja um desejo ardoroso. Idéias assim nascem em nossos corações, porém, para que elas se tornem realidade, é preciso construí-las passo a passo.

Para que uma viagem aconteça, é necessário escolher o local a ser visitado, decidir o tempo da viagem, quanto dinheiro levar, comprar passagens, reservar hotel, arrumar as malas, entre tantas outras coisas. Se, para uma simples viagem, precisamos fazer tudo isso, imagine quando queremos abrir um negócio. E empreender, muitas vezes, é uma viagem para um lugar desconhecido.

Para você organizar suas idéias é que foi criado o plano de negócio. Nesta viagem ao mundo dos empreendedores, ele será o seu mapa de percurso.

O plano irá orientá-lo na busca de informações detalhadas sobre o seu ramo, os produtos e serviços que irá oferecer, seus clientes, concorrentes, fornecedores e, principalmente, sobre os pontos fortes e fracos do seu negócio, contribuindo para a identificação da viabilidade de sua idéia e na gestão da empresa.

Ao final, seu plano irá ajudá-lo a responder a seguinte pergunta: “Vale a pena abrir, manter ou ampliar o meu negócio?”.

Lembre-se de que a preparação de um plano de negócio é um grande desafio, pois exige persistência, comprometimento, pesquisa, trabalho duro e muita criatividade.

Boa sorte, ou melhor dizendo, bom trabalho! E tenha claro que começar já é a metade de toda a ação. Sucesso!

Empresária de São Paulo inova em serviço de franquia


Simone Cristina Costa conquistou o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios pela Região Sudeste na categoria 'Micro e Pequena Empresa'

Fonte: Agência Sebrae

Brasília - A oferta de um serviço diferenciado de franquia rendeu a Simone Cristina Costa e Souza o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2008 pela Região Sudeste na categoria 'Micro e Pequena Empresa'. Há seis anos à frente da Escola de Idiomas CNA em Presidente Prudente, interior de São Paulo, a empresária acumulou prêmios de reconhecimento da rede franqueada e admiração por parte da comunidade onde a escola está inserida.

A inauguração de uma escola diferenciada, com o conceito de não apenas ensinar um idioma, mas também ‘formar cidadãos’ foi a grande conquista de Simone. Em oito anos, ela conseguiu inovar um modelo padronizado de franquia, conquistando seu público com serviços diferenciados. A empresária conhece e mantém relacionamento com os clientes, e se preocupa com a comunidade onde está inserida.

Entre as inovações criadas pela empresária estão descontos, horários e serviços especiais. A empresária estabeleceu, por exemplo, parceria com uma vídeo locadora da cidade, possibilitando aos alunos alugar filmes com desconto. Outra ação inovadora está ligada à comunidade. A escola de idiomas tem a prática de selecionar um de seus professores para ministrar aulas em uma escola carente da região.

Vendo a correria do dia-a-dia dos pais, a empresária investiu em um transporte exclusivo, proporcionando maior facilidade, comodidade e segurança para os alunos. Simone lembra que para conhecer melhor os clientes, ela passou a recepcioná-los na porta da escola, quebrando o paradigma de que escola de idiomas é só para ricos. “A escola é para todos. Aqui atendemos alunos de todas as classes sociais”, afirma.

História de sucesso

A empresária conta que mesmo trabalhando, ela tinha o hábito de pesquisar no mercado oportunidades de negócios para investir. A partir da sugestão de um amigo, Simone, que tem formação em Letras, resolveu apostar em uma escola de idiomas. “O primeiro passo foi fazer um estudo de mercado, visando conhecer o comportamento do setor na cidade de Presidente Prudente. O segundo e mais difícil passo foi convencer as pessoas ao meu redor de que o empreendimento era vantajoso”, explica Simone.

Mesmo com algumas resistências, Simone não desistiu do seu sonho e tocou sua idéia adiante. Após conseguir o aval do marido, o casal passou a captar recursos financeiros para bancar a franquia. “Não queria ser mais uma escola no mercado. O meu objetivo era ensinar de forma natural e com uma estrutura inovadora”, afirma. Com uma equipe de profissionais qualificados, a empresa se diferenciou pelo atendimento, disponibilidade de horários diferenciados, modernas instalações, e principalmente, pelo calor humano.

“Minha meta era ser a melhor escola de idiomas de Presidente Prudente, mesmo que para isso tivesse que enfrentar algumas dificuldades, como concorrência, escassez de recursos financeiros e de tempo, já que sou mãe de dois filhos”, explica Simone. No primeiro semestre de trabalho, em 2002, os bons índices alcançados e o expressivo número de alunos conquistados pela unidade resultaram no Prêmio Desempenho CNA. Em 2003, o desempenho da escola foi novamente reconhecido, sendo considerada uma das dez unidades perfeitas da rede.

Simone estruturou a escola em áreas estratégicas: a área Administrativa é responsável por oferecer suporte para pais e alunos, na informação de notas, agendamentos de horários de aulas, pagamentos, boletins escolares; a área Pedagógica é formada por equipe de profissionais atualizados com que há de mais moderno no ensino; a área Comercial tem a função de esclarecer dúvidas sobre os cursos, métodos, materiais pedagógicos, horários, investimentos.

“Aprendi que a empresa deve ser rica e o dono pobre. Com o retorno do investimento procuro investir na própria unidade. No segundo semestre de atuação dobramos o número de computadores no laboratório”, lembra Simone. Segundo a empresária, hoje, as nove salas de aula contam com lousa interativa, projetor de multimídia e internet sem fio, tornando as aulas mais dinâmicas e atrativas. “Aprendi que temos que fazer dos nossos obstáculos um aliado, pois é por meio dele que vem a força necessária para superá-los”, aconselha Simone.

Vencedoras do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios recebem homenagem e reconhecimento durante cerimônia em Brasília


Maysa Motta Gadelha, de Campina Grande (PB), e Maria José do Nascimento, de Peabiru (PR), superaram mais de 2.600 empresárias de todo o País e são as grandes vencedoras da fase nacional da premiação

Fonte: Agência Sebrae

Brasília - Duas empreendedoras, uma da Paraíba e outra do Paraná, são as grandes vencedoras nacionais do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2008, principal premiação destinada a reconhecer o talento de mulheres que dedicam suas vidas ao mundo dos negócios no País. Maysa Motta Gadelha, de Campina Grande (PB), e Maria José do Nascimento, de Peabiru (PR), ganharam, respectivamente, nas categorias 'Grupo de Produção Formal' e 'Micro e Pequena Empresa'.

Os nomes das vencedoras foram anunciados numa 'poética' cerimônia comandada pela atriz, poeta e empresária Elisa Lucinda na noite desta terça-feira (7) em Brasília.

Maysa e Maria disputaram o prêmio com mais 17 finalistas das regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul do País. Até chegar à fase nacional, todas passaram por um longo processo de seleção, que reuniu 2.667 empresárias de todo o Brasil.

"Somos todas vencedoras. Acredito que essa vitória é conseqüência do equilíbrio que encontro no meu trabalho, na minha saúde e na minha família. Agradeço ao Sebrae pelo apoio e suporte oferecido para que eu pudesse chegar até aqui", afirmou Maysa Motta Gadelha. A paraibana conquistou o primeiro lugar na categoria 'Grupo de Produção Formal' pelo trabalho à frente da Cooperativa de Produção Têxtil Afins de Algodão do Estado da Paraíba (Coopnatural).
A outra vencedora da noite, a empresária paranaense Maria José do Nascimento, de Peabiru, cidade localizada a 470 km de Curitiba, foi escolhida por ter feito da pequena empresa familiar KL Reymann, criada em 1995, uma fábrica com 82 empregados e 180 clientes em todo o Brasil. "É gratificante ganhar um prêmio como esse. Esforcei-me muito para chegar até aqui, fiz um longo trabalho e sei que ainda tenho muito a fazer. Dedico este prêmio a todos que caminharam comigo nesta jornada", disse Maria logo após receber o troféu.

As duas vencedoras receberão como prêmio uma viagem para o Chile, onde farão visitas técnicas a empresas daquele país durante dez dias. Além disso, elas e as outras oito premiadas da noite ganharão uma viagem a São Paulo para participar de um evento da BPW Brasil (Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais), parceira do Sebrae no prêmio. (Leia mais sobre as vencedoras nas 'Notícias Relacionadas' nesta Agência Sebrae de Notícias).

Iniciativa do Sebrae Nacional, o Prêmio Mulher de Negócios é oferecido em parceria com a FNQ (Fundação Nacional de Qualidade), a Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres da Presidência da República e a BPW Brasil.

A cerimônia contou com as presenças do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, do diretor-técnico do Sebrae, Luiz Carlos Barboza, da presidente da BPW, Arlete Zago, da assessora da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres da Presidência da República, Eunice Moraes, e da conselheira da FNQ, Ieda Novaes.

"O Brasil precisa de bons exemplos, e as mulheres empreendedoras desempenham bem este papel. Elas estão abrindo caminhos que podem ser seguidos por outras mulheres que ainda não exercem a atividade empresarial. Elas, com firmeza e delicadeza, estão construindo uma história importante, e por isso merecem os parabéns da sociedade brasileira", ressaltou Okamotto.

Confira 29 mil vagas abertas em empresas para este ano

Fonte: Folha Online

Empresas de diversos segmentos estão com inscrições abertas para contratar pelo menos 28.925 trabalhadores até o final do ano. Escolas de línguas e de informática, lanchonetes, supermercados e até consultórios odontológicos anunciaram as contratações.

Quase todas as chances são para atendentes, balconistas e recepcionistas, mas também há chances para cargos como de médicos e professores. Para as vagas que exigem ensino médio (atendentes, balconistas e recepcionistas), o salário é de R$ 500 a R$ 700.

A maioria das vagas é para trabalhar em unidades das empresas que serão inauguradas. Mesmo para as vagas que não estão abertas, os candidatos já podem fazer o cadastro do currículo.

A rede de supermercados Carrefour é a que deve ter o maior número de oportunidades. Serão até 16 mil novas vagas no país --a maioria das chances é para a região Sudeste, com até 12.500 chances. Os candidatos já podem cadastrar o currículo no site www.carrefour.com.br.

As redes de escolas Fisk e Microcamp (de línguas e computação, respectivamente) também pretendem contratar. São esperadas 2.500 vagas no Fisk e 2.000 na Microcamp.

Até o final do ano, a rede de lanchonetes Bob's deve abrir mais de 1.200 oportunidades para atendentes. Os candidatos a uma das vagas já podem cadastrar seu currículo no site www.bobs.com.br. As vagas serão para as cerca de 90 unidades que devem ser inauguradas pela rede até 2010. Em São Paulo, a expectativa é abrir mais 36 lanchonetes, com 836 novas chances.

Para concorrer, é preciso ter, pelo menos, 16 anos e ensino médio completo ou em curso.

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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Contribuições


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Um abraço,
Equipe ADEMP

Perfil Empreendedor: Ozires Silva

Ozires Silva (Bauru, 8 de janeiro de 1931) é um engenheiro aeronáutico brasileiro.

É oficial da Aeronáutica e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Destaca-se por sua contribuição no desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira. Capitaneou a equipe que projetou e construiu o avião Bandeirante. Liderou em 1970 o grupo que promoveu a criação da Embraer, uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo. Deu início à produção industrial de aviões no Brasil. Presidiu a empresa até 1986, quando aceitou o desafio de ser presidente da Petrobras, onde atuou até 1989. Em 1990, assumiu o Ministério da Infra-estrutura e, em 1991, retornou à Embraer, desempenhando um papel importante na condução do processo de privatização da empresa, concluído em 1994.

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Também atuou como presidente da Varig por três anos (2000-2003) e criou em 2003 a Pele Nova Biotecnologia, primeiro fruto da Academia Brasileira de Estudos Avançados, empresa focada em saúde humana cuja missão é a pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias inovadoras na área de regeneração e engenharia tecidual. Ozires Silva também faz parte de uma série de Conselhos e de Associações de Classe.

* Em 1951 formou-se Oficial Aviador e Piloto Militar pela Escola de Aeronáutica. do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro;
* Serviu na Amazônia durante 4 anos voando no Correio da Fronteira, mantido pela Força Aérea Brasileira e, mais tarde, no Correio Aéreo Nacional;
* Formou-se em Engenharia Aeronáutica em 1962, pelo ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica, de S J dos Campos, SP;
* Concluiu, em 1966, curso de Pós Graduação em Aeronáutica no Instituto de Tecnologia da California (CALTECH), nos Estados Unidos;

Entrevista para a Isto É Dinheiro

DINHEIRO – Que conselhos o sr. dá aos empreendedores?
OZIRES SILVA – Só tento passar a experiência que tive com a criação da Embraer. O Brasil chegou a ter muitas empresas de aviação. Mas todas fecharam porque faltava a elas a visão mercadológica que implantamos na Embraer.

DINHEIRO – Foi esse o segredo da empresa?
SILVA – Sim, foi ter colocado a gota mercadológica na empresa. No livro eu conto como decidimos que avião fabricar, onde vender e os detalhes de todas as decisões que foram tomadas para que a Embraer chegasse aonde chegou.

DINHEIRO – Dias atrás, a Embraer perdeu um contrato de quase US$ 1 bilhão com os EUA. Isso o preocupa?
SILVA – É uma notícia ruim, mas eu também perdi contratos. Em 1994, não conseguimos fechar uma venda de US$ 7 bilhões aos Estados Unidos em Super Tucanos. Eles se defendem. Nós não.

DINHEIRO – A pressão para não vendermos para a Venezuela é um exemplo?
SILVA – Essa não foi e nem será a primeira vez que perdemos contratos por causa dos EUA. Quando estava à frente da Embraer, por exemplo, perdi contratos para vender para Turquia e Paquistão.

DINHEIRO – Isso afeta muito a Embraer?
SILVA – Claro que prejudica. Mas a Embraer não tem alternativa. Os americanos montaram um esquema de domínio dos componentes que vendem para o mundo inteiro. Se a General Eletric se recusar a me vender motores não há governo no mundo que a obrigue a fazer isso. Claro que, oficialmente, a pressão dos EUA não existe. Mas todo mundo sabe que a GE recebe uma orientação do Departamento de Estado americano e não vende. E como somos dependentes, não temos o que fazer.

DINHEIRO – E se tivéssemos nosso motor?
SILVA – Os clientes não comprariam nossos aviões. Se mostrássemos para a Venezuela um avião com um motor “Silva” ou “Oliveira” eles iam questionar: que raios de motor é esse? E não comprariam. É quase impossível driblar esse problema.

DINHEIRO – A Embraer nunca terá seus motores?
SILVA – Não. Nem deve. Se ela caminha na direção de fabricar tudo, vai quebrar. Foi esse o erro de outras empresas brasileiras que fecharam as portas. A Embraer não esquenta a cabeça. Não faz sentido comprar chapa de alumínio ou computador de bordo no mercado local.

DINHEIRO – Não há como ter um avião 100% nacional?
SILVA – Ser empresário no Brasil é muito difícil. Há uma hostilidade contra ele. As pessoas vêem o empresário como um cara que só quer ganhar dinheiro, quando na verdade é um cara que quer ganhar o salário dele trabalhando.

DINHEIRO – Não há saída ou o sr. está sendo pessimista?
SILVA – Não é pessimismo. O fato é que a Embraer terá que parar de gastar energia com esse negócio da Venezuela e partir para outro. Se não dá para vender para a Venezuela, então vamos atrás da China, da Índia.

DINHEIRO – O governo não poderia interferir?
SILVA – Se o governo quiser brigar, deixe fazê-lo. Ele já nos atrapalha muito. A Embraer é só uma vítima nessa sinuca de bico. A empresa tem de seguir em frente. Agora, os Estados Unidos estão montados num negócio espetacular e nós, com tantas possibilidades, não conseguimos nunca avançar. O fato é que o governo senta em cima de todos os problemas e não resolve nenhum.

DINHEIRO – Não há saída então?
SILVA – Na verdade, o problema é nosso. Como você explica o sucesso de outros países, especialmente dos Estados Unidos? Depois da segunda guerra eles ocuparam suas posições com competência e hoje eles lideram o comércio. A verdade é que o Brasil ainda precisa de marcas.

DINHEIRO – Ter marcas reconhecidas leva tempo. O Brasil conseguirá?
SILVA – É difícil. Se eu chego num cliente qualquer e digo que o freio não é o que ele conhece, ele não compra. Isso serve para eletrônica e todos componentes do avião.

DINHEIRO – A Varig ganhou prazo da Justiça americana para evitar o arresto de seus aviões. O sr. acha que a Varig ainda tem salvação?
SILVA – Uma grande parte da dívida da Varig é com o governo. E, ao mesmo tempo, o governo deve para a Varig. Analise comigo: se o governo vender a Varig, ele vai receber esse dinheiro? Se ela continuar com esses problemas, não vai receber. Se ela falir, também não vai receber. Ora bolas, então por que o governo não faz um acerto de contas com a Varig e resolve logo esse negócio?

DINHEIRO – Salvar a Varig está nas mãos do governo?
SILVA – Se você quiser fazer uma estimativa grosseira vai ver que 60% dos custos da operação de uma companhia aérea vão para os cofres do governo.

DINHEIRO – O que o governo deveria fazer?
SILVA – A minha proposta é reduzir o endividamento da Varig e de imediato a empresa poderia voltar a respirar para ir em frente. O governo até agora só conseguiu quebrar todas as empresas. Quebrou a PanAir, a Real, a Nacional, a Transbrasil e a Vasp. Agora vem a Varig. No futuro virão a TAM e a Gol. O governo quebra todo mundo.

DINHEIRO – Mas há quem critica o fato do governo socorrer a Varig já que não fez o mesmo no caso da Vasp.
SILVA – Isso não é socorrer. Ninguém conta que o governo tem tirado dinheiro demais das companhias aéreas.

DINHEIRO – O que impede um acerto de contas?
SILVA – Nada. Falta vontade.

DINHEIRO – O sr. vê a Varig como um patrimônio nacional?
SILVA – Ela não é só isso. A Varig tem direitos de tráfego no mundo inteiro que o Brasil não pode jogar fora.

DINHEIRO – Como o sr. vê a proposta de vender a Varig para a TAP?
SILVA – Isso é um absurdo. A TAP é uma estatal portuguesa. O governo só pode estar brincando. A TAP atua num país que não tem mercado e nós vamos dar o nosso para os portugueses de mão beijada. Por que será que tem tanto estrangeiro interessado em comprar a Varig? É só o governo brasileiro que não está interessado.

DINHEIRO – Qual é a saída? Uma fusão com a TAM teria sido uma solução viável?
SILVA – O governo deveria fazer um encontro de contas e zerar a dívida. A fusão não deu certo porque o governo proibiu e teria sido uma alternativa sim. O fato é que o Brasil não cresce, o brasileiro está empobrecendo e o preço da passagem só sobe por que os custos são muito elevados.

DINHEIRO – E a Gol? Por que dá certo?
SILVA – Porque é nova. As companhias aéreas do Brasil não conseguem envelhecer de forma saudável. Se você olhar a Gol de hoje, ela tem mais problemas do que há dois anos. A tendência é piorar. O que acontece no Brasil é que vão quebrando as velhas e aparecendo as companhias novas. Acontece que na aviação isso é um perigo porque a aviação depende de técnicos. Quando as empresas não envelhecem, perde-se a mão-de-obra.

DINHEIRO – A Transbrasil hoje terá condições para voltar a voar como determinou uma liminar na última semana?
SILVA – Não sei. Mas isso mostra que quem determina o processo e as regras do setor aéreo é o governo. Essa liminar saiu porque o governo não impediu. Há uma responsabilidade clara do poder público, em todos os governos. Lula nem tinha nascido quando quebraram a PanAir.

DINHEIRO – O Brasil e os brasileiros são incompetentes?
SILVA – Eu não me conformo em ver o Brasil nesse retardo. Nós temos as mesmas características dos americanos.

“A Gol só dá certo porque é nova. Hoje ela tem mais problemas do que há dois anos”

DINHEIRO – Qual foi o erro do Brasil então?
SILVA – Os EUA tiveram um processo político diferente. O governo trabalhou para o País. Aqui o País trabalha para o governo. O sucesso de uma nação é dado pelo sucesso de seus cidadãos e não pelo sucesso do governo.

DINHEIRO – O povo brasileiro falhou então?
SILVA – Não existe governo de sucesso com povo fracassado, mas existem governos fracassados com povo de sucesso. No Brasil, o governo impede o desenvolvimento.

DINHEIRO – Foi sempre assim?
SILVA – Não. O Juscelino conseguiu criar as bases do desenvolvimento. Ele era inimigo da burocracia. No governo dos militares, do ponto de vista empresarial, não se atrapalhou tanto. Eles, por incrível que pareça, eram a favor da privatização.

DINHEIRO – As privatizações foram boas?
SILVA – Em alguns aspectos, sim. Mas acho que faltou oportunidade para fortalecer o capital nacional e impedir de vender tudo para capital estrangeiro.

DINHEIRO – Isso é um problema?
SILVA – O problema básico é que temos de mudar o País. Acho que o povo brasileiro tem que entender o que está acontecendo.

DINHEIRO – Como?
SILVA – O Brasil falhou no contexto econômico. Nós temos a mesma idade dos EUA, as mesmas condições e eles dispararam. A gente ficou para trás. Isso mostra que pelo menos do ponto de vista de cultura, comportamento, nós somos muito diferentes dos americanos. Não vou dizer se para o bem ou para o mal. O fato é que até agora não funcionou aqui.

DINHEIRO – Perdemos o bonde?
SILVA – O País está enrolado. Desde a Constituição de 1988, editaram 3,3 milhões de leis. Não há empresa que consiga se adequar a essa barafunda. É preciso surgir um governante como Juscelino, com apoio de um Congresso sério. Esse que está aí perdeu credibilidade. Eu deixei de ser a velhinha de Taubaté. Nós temos que criar um País novo porque esse que está aí... não sei não. Seus filhos vão comer grama se continuar desse jeito. O mundo está numa velocidade absurda e nós paramos.

DINHEIRO – O presidente Lula não é bom exemplo?
SILVA – O Lula faz uma confusão dos diabos entre política financeira e política econômica. Ele não sabe a diferença. Financeiramente, o Brasil está arrumadinho, mas economicamente está um desastre. E ele fala da política econômica, dizendo que é um trunfo. Mas é o contrário. A política econômica vai muito mal e obrigado.

Entenda

A ADEMP foi fundada em 2008 com o intuito de apoiar o Empreendedorismo através de ações focadas no treinamento e capacitação dos empreendedores da região do Grande ABCD.

ADEMP - Associação de Desenvolvimento Empreendedor

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Rudge Ramos - São Bernardo do Campo / SP CEP 09619-160

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